
Na última semana, as duas histórias causaram revolta. Figurinista da Rede Globo, Susllem revelou ao Brasil meses de abuso por parte do renomado ator José Mayer. À fisioterapeuta Mirella não restou nem a chance de falar. Teve sua luta por liberdade silenciada por um corte na garganta. O algoz era o próprio vizinho, visto por todos com um “homem de bem”. O que Joselma, Susllem e Mirella, em realidades tão diferentes, têm em comum? As três são mulheres. E apenas por isso tiveram dignidade e vida ceifadas por homens. “Mulheres morrem apenas por serem mulheres, por não atingirem as expectativas dos homens. A morte é puramente questão de gênero, é feminicídio”, explica o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor do Mapa da Violência 2015.
A pesquisa realizada por ele, que lança luz sobre o número alarmante de homicídios de mulheres no Brasil, mostra o perfil das vítimas. A maioria é negra, com idade entre 18 e 30 anos e baixo grau de escolaridade. “Homens morrem mais nas ruas, vítimas de arma de fogo, e geralmente não conhecem o agressor. Mulheres morrem mais em casa e sabem quem é o agressor. Além disso, são mais vítimas de arma branca, o que demonstra falta de premeditação. A morte delas é fruto da ira”, defende o especialista.
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