terça-feira, 11 de abril de 2017

Pascoa: Comunidade judaica inicia celebrações da libertação do povo judeu com Seder


                         
                                    Jantar repleto de simbolismo abre a celebração do Pessarch. Foto: Roberto Ramos/DP
Famílias que integram a comunidade judaicas em Pernambuco participaram, hoje à noite, do Seder, um jantar repleto de simbolismo que abre a celebração do Pessarch (pronuncia-se com “rr” no final), a páscoa judaica, uma lembrança da libertação do povo judeu do Egito. Em Boa Viagem, Região Sul do Recife, a família de Jacques Ribemboim, uma das cerca de 600 que integram a comunidade judaica de Pernambuco, o Seder agregou um momento de reflexão sobre a importância das mulheres na libertação do povo judeu, com a leitura de um texto do rabino e escritor inglês Jonathan Sacks.

“É um momento texto importante num momento em que as mulheres vivem tantas agressões”, explicou Helena Ribemboim, abrindo a leitura reservada a outras mulheres que participavam do jantar, incluindo a matriarca Esther Katz Azoubel, com seus 92 anos, que pediu que seu trecho fosse lido pela mais nova à mesa, Clarice Ribemboim, 18. A leitura inovadora destacava a participação de Yocheved, apresentada como “mãe de três líderes israelitas, Miriam, Aharon e Moshê; Miriam; Batya, filha do faraó; Tsipóra, esposa de Moshê; e as parteiras Shifrá e Puá, que se recusaram a matar os filhos dos israelitas.

“O Seder do Pessarch é um momento de reflexão para que as pessoas procurem sempre melhorar”, disse Jacques Ribemboim, enfatizando que a celebração ocorre em casas judias de todo o mundo e também marca o início da primavera no hemisfério norte. O jantar cumpre um rito preservado pela comunidade judaica para lembrar a escravidão e a alegria da liberdade.
Para Esther Katz Azoubel, o jantar de ontem remetia a lembranças de sua infância na Rua da Conceição, na Boa Vista, Região Centro da Capital, com a mudança de que agora é ela uma das mulheres que ajudam a manter a tradição, inclusive preparando pratos da celebração, como os knêidales (bolinhos de farinha sem fermento), guefiltefish (bolinhos de peixe), o matzá (pão ázimo), chréin (pasta de raiz forte com beterraba) e maror (ervas amargas, para lembrar do amargo da escravidão).

“Estou muito feliz”, disse Esther Katz Azoubel, lembrando de histórias do avô, David Katz, que fundou e construiu a sinagoga da Rua Martins Junior, e de jantares que se estendiam até 23 horas, meia-noite. Lembrança também dos sabores das receitas que aprendeu da avó Bela Katz e agora faz sozinha e repassa às novas gerações. “Tudo como antigamente”, destacou.

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