quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Polícia investiga fraude no concurso do TJPE




Foto: Cortesia
A Polícia Civil da Paraíba apura o envolvimento de membros de uma organização criminosa
 sediada em João Pessoa em fraudes no concurso do Tribunal de Justiça de Pernambuco
(TJPE), realizado no último domingo (15). Ao menos três integrantes do grupo especializado
 em fraudar concursos públicos estavam inscritos nas provas do TJPE. Policiais da
Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) encontraram, durante a 4ª fase da
Operação Gabarito, neste sábado (21), conversas citando o concurso no aplicativo WhatsApp.

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Mensagens de texto entre Flávio Luciano Nascimento Borges, um dos líderes da organização
 criminosa, e o guarda municipal do Recife Thiago Leão, que fez a prova do último domingo
 no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), foram obtidas
 pelo Portal FolhaPE, bem como áudios de uma conversa entre Flávio e o professor Dárcio
 Carvalho, que faz as provas de Direito, Português e Redação para o grupo.

Ao todo, foram analisados 15 mil arquivos digitais de membros da organização criminosa.
 De acordo com o delegado Lucas Sá, da DDF, foram repassados para a Polícia Civil de
Pernambuco (PCPE) os nomes de Thiago Leão e de outros dois integrantes da quadrilha
 inscritos para o concurso, mas o Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC),
responsável pela aplicação das provas, não permitiu que a investigação fosse feita.
"Repassamos para a PCPE a informação de que Thiago Leão, Poliane Alencar e
Jamerson Hesídio fariam a prova, mas o IBFC não permitiu que os policiais entrassem
no local de prova e realizassem a revista para verificar se eles estavam usando pontos
 eletrônicos", observou o investigador.

Os três suspeitos de fraudar o concurso do TJPE já foram presos por participarem do
esquema criminoso em outros concursos. "Pelo menos 70 pessoas estão sendo investigadas.
A Operação Gabarito está com cinco meses de investigações. Foram 34 presos até agora.
Os primeiros presos devem ser sentenciados nos próximos dias. Destes, três mulheres estão
 em prisão domiciliar e há mais ou menos um mês 11 foram liberados mediante habeas corpus,
 entre eles Thiago Leão, Poliane Alencar e Jamerson Hesídio", ressaltou.

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Concurso do TJPE é alvo de críticas

Procurado pela reportagem, o TJPE informou que ainda não foi notificado oficialmente pela
polícia. Por isso, só deve se pronunciar nesta segunda-feira (23). O certame, por sua vez,
é alvo de polêmica desde a primeira segunda-feira pós prova, quando candidatos denunciaram
 ter presenciado falhas na fiscalização e o descumprimento de itens do edital durante o
concurso. O grupo chegou a fazer um abaixo-assinado com 12 mil assinaturas pedindo a
anulação.

"Em alguns concursos, como o do Ministério Público do Rio Grande do Norte, que a
organizadora colaborou com o trabalho da polícia, todos os integrantes do grupo foram
 presos e desclassificados. Caso a gente não consiga identificar as fraudes no concurso do
 TJPE, a única possibilidade que eu vejo é realmente o cancelamento", afirmou o delegado.
Portal FolhaPE tentou contato com o IBFC por telefone, mas não obteve sucesso.
Veja imagens de algumas conversas de integrantes da organização criminosa no WhatsApp:


Outras fraudes
Também são investigadas pela DDF fraudes em pelo menos quatro concursos realizados em
Pernambuco. Além do TJPE, o grupo teria atuado também em provas da Universidade
Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do
Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). "São pelo menos cem concursos em todo
 o Brasil", revelou Lucas Sá.

Modo de agir
O investigador detalhou que os criminosos contratam professores nas áreas especializadas
 do certame. Cada um faz as questões nas áreas que são contratados e envia imagens das
respostas. A partir disso, as informações são repassadas por ponto eletrônico para os
candidatos. "Normalmente os candidatos têm que pagar dez vezes o salário inicial.
Inicialmente dá uma entrada e o restante após ser nomeado. Eles têm candidatos aprovados
nos primeiros lugares em vários concursos", disse.

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