terça-feira, 7 de novembro de 2017

Alta carga tributária é empecilho para sobrevivência de empresas

 

O Brasil registrou queda na abertura de novas empresas por dois anos seguidos. Dados do IBGE
divulgados em outubro deste ano mostram que cerca de 38% das empresas sobrevivem após
cinco anos de atividade. Das 733 mil empresas que nasceram em 2010, 551 mil sobreviveram até 2011.
Até 2015, apenas 277 mil dessas empresas estavam ativas.

A pesquisa também aponta que o número de funcionários pode influenciar nessa conta. Quanto mais
pessoas trabalhando, maior a chance de sobrevivência da empresa no mercado. O que se registrou foi
uma queda na permanência de empresas sem pessoal assalariado, com apenas 31,3% de sobrevivência
em locais com esse perfil.

Dos quase cinco milhões de empresas ativas em 2015, quatro milhões e duzentas mil sobreviveram em
relação a 2014. A fisioterapeuta cearense e agora ocupante de uma cadeira na Câmara dos Deputados,
Gorete Pereira (PR-CE), acredita que a alta tributação tem um grande peso nesses números. Para ela,
o sistema é complexo e as empresas acabam não resistindo. “A carga tributária é muito alta.
Mesmo que eles queiram e tenham boa vontade de pagar, não conseguem chegar até o fim.”

O advogado especialista em direito tributário Erich Endrillo concorda que o sistema seja complexo.
O Congresso Nacional vem discutindo uma proposta de reforma para simplificar o sistema e o advogado
defende que isso seja feito o quanto antes. “Toda expectativa da nação gira em torno de haver um
alento maior em relação à carga tributária que o brasileiro paga. Em tese, a proposta deveria ser
direcionada para esse fim.”

A carga tributária brasileira é a maior da América Latina, segundo informações da OCDE, Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A expectativa do governo é que a reforma seja
votada ainda neste ano. Com a proposta, nove impostos seriam transformados em um, chamado IBS,
Imposto sobre Operações de Bens e Serviços. Outro ponto da reforma é dar um peso maior aos
impostos sobre a renda, e não sobre consumo, como é feito hoje.

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