quarta-feira, 20 de maio de 2020

Vídeo: mãe de jovem morto mostra casa metralhada no Rio de Janeiro que levou a morte de menino de 14 anos

Um vídeo gravado por familiares de João Pedro, de 14 anos, morto por um tiro de fuzil na barriga, durante operação no Complexo do Salgueiro, nessa segunda-feira (18/05), mostra o resultado de ação conjunta da Polícia Civil do Rio de Janeiro e da Polícia Federal no interior da residência do avô de um dos primos do garoto. As informações são de Metrópoles.
O jovem João Pedro, havia acabado de sair da sua residência, localizada na Travessa Adelina, para encontrar com os primos e se divertir em meio a um período difícil decorrente da quarentena imposta pelo coronavírus. Chegando na casa dos entes queridos, a vítima teve pouco tempo para brincar ao celular, pois a casa foi invadida e virou cenário de filme de terror. Durante a ação dos policiais, que afirmavam terem visto três traficantes no interior da residência, a criança foi baleada e levada de helicóptero - sem os familiares - para um hospital na Lagoa, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
 
“É inadmissível o que esses homens fizeram com o meu filho, ele não tinha envolvimento com nada, era uma pessoa muito querida por todos. Pegaram o meu filho, colocaram no avião e não deixaram ninguém ir com eles. Ficamos horas sem notícias do meu pequeno, por quê? Por que fizeram isso com o João Pedro? O que será da minha vida sem meu filho? Que os responsáveis sejam punidos, o meu filho não irá voltar, mas o marginal que fez isso terá que pagar pelo erro”, disse a mãe da criança, Rafaela Coutinho, de 36 anos.
 
Após o socorro de João Pedro, começou a aflição por notícias para saber onde o jovem tinha sido levado. Os familiares fizeram buscas por hospitais de São Gonçalo, Niterói e Rio de Janeiro, além de terem ido a delegacias, como a Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, mas não obtiveram nenhuma resposta. Até que a notícia que a família menos esperava receber chegou: o corpo de João Pedro estava no Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó, em São Gonçalo, onde familiares e amigos realizam, na manhã desta terça-feira (19/05), os procedimentos para o sepultamento do jovem que é mais uma vítima do problema de segurança pública presente em todo o Estado do Rio de Janeiro.
 
“A casa em que o João Pedro estava é sempre visada pela polícia em épocas de operação, pois é uma casa bonita com piscina e os policiais acreditam se tratar de um esconderijo de traficantes e não é. Quer dizer que o pobre não pode trabalhar e conquistar uma casa boa? Eles vieram aqui, fizeram uma tragédia e quem irá pagar? Quem vai ficar responsável pela morte do meu sobrinho? Vocês acabaram com a família da Rafa, do Neilton - pai do João Pedro - e agora? Tenho certeza que essa operação não foi barata, vieram aqui, mataram uma criança e mais nada. É inadmissível”, disse uma tia da criança, que preferiu não se identificar.
 
Um vídeo gravado por familiares da criança mostra a resultado do confronto entre os policiais e os traficantes no interior da residência do avô de um dos primos da vítima. Em diversas partes da casa, podem ser vistos marcas de disparos de armas de fogo e uma poça de sangue no meio da sala.


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