segunda-feira, 3 de julho de 2017

COLUNA EDUCACIONAL


Você é analfabeto científico?
Por que ensinar ciências?


             A pergunta do título parece ofensiva para você? Continue lendo e veja que esse tipo de analfabetismo é bem mais comum que você pensa.
Pesquisa de 2014 publicada pelas revistas Época e Ciência hoje mostrou que cerca de 79% dos brasileiros estão nos níveis básicos de letramento científico. Talvez o próprio fato de o termo “analfabetismo científico” soar estranho para a maioria das pessoas seja um bom indicador de como essa temática é ignorada na sociedade em que vivemos.
No quadro a seguir, vemos a distribuição em porcentagem de atividades simples e os níveis verificados (no site Revista época online). É possível ainda fazer um teste e saber em que nível você se encontra (espero que não se assuste com os resultados).
Atividades
Nível 1
Nível 2
Nível 3
Nível 4
Compreender as contraindicações de um remédio, lendo a bula
37%
26%
16%
11%
Conferir a conta de luz
40%
28%
18%
8%
Ler manuais de instalação de aparelhos domésticos
39%
27%
20%
18%
Combater um pequeno incêndio seguindo instruções escritas no equipamento contra fogo
45%
40%
27%
27%
Consultar dados sobre saúde e remédios na internet
58%
41%
24%
16%

A pesquisa abordou pessoas com os mais variados níveis de escolaridade e mesmo entre pessoas com nível superior a quantidade de analfabetos científicos é alarmante. Por que isso acontece em nossa sociedade?
Algumas causas podem ser apontadas, mas esse não é o objetivo desse artigo (podemos abordar isso em outro texto). Fato é, que a nossa vida é totalmente dependente de conhecimentos científicos. Basta olhar a seu redor, quase tudo é produzido com base em conhecimentos científicos. Mesmo assim, a maioria das pessoas desconhecem como essas coisas funcionam ou os mecanismos científicos e produtivos por trás de quase tudo que lhe rodeia.
Certa vez um aluno me perguntou qual a importância da minha disciplina (Biologia) na escola.  Respondi-lhe de forma curta e precisa: “Para que possamos entender o mundo que nos rodeia e sermos um pouco menos ignorantes quanto à realidade que nos cerca”. Veja que essa resposta não se aplica apenas a “minha disciplina”, mas sim a todo o conhecimento científico.
O analfabetismo científico é uma realidade e há apenas uma forma de combatê-lo: Com uma educação que preze o currículo científico, que não seja apenas “decoreba” pra fazer uma prova, mas que nos faça entender a maravilha que o mundo natural tem a nos oferecer, bem como a imensidão de conhecimento e dúvidas que foram, são e serão respondidas pela ciência.
Se você não é mais um estudante regular (em uma escola ou universidade), saiba que ainda há tempo para construir conhecimento, aliás, você é privilegiado, pois pode aprender sobre o que bem entender. A construção de conhecimento através da internet e outras fontes é cada vez mais acessível, seja por sites de ciência confiáveis, compra de livros ou revistas online, documentários, etc. Hoje o conhecimento está ao alcance de todos, mas poucos querem buscá-lo.
Levante essa bandeira e lutemos todos contra o analfabetismo científico!
 

Caixa de Texto: Cassio José Sousa Barbosa 
(Graduado em Biologia pela UFPB)

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