Uma denúncia de vizinhos levou a polícia de São Paulo a uma clínica de reabilitação para pacientes psiquiátricos, dependentes químicos e idosos, acusada de tortura e agressão.
Vídeos cedidos ao Jornal da Record por ex-funcionários mostram os internos em condições desumanas. Pelo menos 50 pacientes se tratavam na clínica.
Da janela de um sobrado os moradores ouviram pedidos de socorro e chamaram a polícia.
Quando os policiais chegaram, encontraram pacientes psiquiátricos, dependentes químicos e idosos em condições consideradas subumanas.
Homens, mulheres e até adolescentes dormiam amontoados no mesmo cômodo, no chão.
Uma das internas acusa os donos e os funcionários da clínica de agressão.
"Aconteceu de um funcionário dela, um monitor, me dar um soco no nariz de tirar sangue", disse. "Eu apanhava amarrada, ele enforcava a gente, amordaçava pra gente não gritar."
Pacientes doentes precisaram ser removidos de ambulância para hospitais e outras clínicas.
Segundo ex-funcionários, os pacientes foram trazidos para a casa depois que duas clínicas da mesma proprietária foram fechadas por supostas irregularidades sanitárias, falta de alvará e, principalmente, por denúncias de maus tratos.
Os idosos e os dependentes químicos seriam submetidos diariamente a sessões de tortura. Em um dos vídeos, um paciente é espancado. O tempo todo ele está amarrado.
Uma denúncia de vizinhos levou a polícia de SP a uma clínica de reabilitação para pacientes psiquiátricos, dependentes químicos e idosos, acusada de tortura e agressão #JornalDaRecord #JR24H
Uma ex-funcionária, que não quer ser identificada, confirmou a violência. Ela diz que a clínica cobrava em média mil reais por paciente. E que eles, muitas vezes, faziam apenas uma refeição por dia.
"Eu acompanhei de perto, fui funcionária lá há um tempo atrás. O dono da clínica agredia os pacientes com chutes e pontapés”, disse. "Até fome eles passavam. Faltava produtos de higiene, faltava tudo."
A polícia vai investigar os crimes de maus tratos e exercício ilegal da profissão. Os proprietários e funcionários foram intimados a depor. A dona da clínica não quis gravar entrevista.


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