quarta-feira, 29 de março de 2023

'Manipuladora e fria': mulher que matou mãe e própria filha deu à criança opção de ir para 'abrigo'

 

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu, nesta segunda-feira, o inquérito sobre o caso da mulher de 34 anos apontada como a autora do duplo homicídio de sua própria mãe e filha, ocorrido no início do mês, em Belo Horizonte. Amanda Christina Souza Pinto confessou o crime, e foi indiciada por homicídio qualificado por motivo fútil, segundo disse a equipe do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em coletiva de imprensa.

Os investigadores da Polícia Civil descrevem a mulher como uma pessoa "manipuladora, fria, possessiva" e que controlava a casa, determinando, por exemplo, com quem sua mãe iria se encontrar. Ela também mantinha a filha afastada do convívio com a família paterna.

— Não tinha nada de uma pessoa que estava louca ou teve um surto psicótico. Ela não tem nenhum histórico de depressão ou uso de medicamentos controlados — apontou a delegeda Iara França, que coordenou as investigações.
 
A motivação foi vingança, de acordo com os investigadores. A mãe da autora do crime, Maria do Rosário de Fátima Pinto, teria descoberto que a filha havia ocultado dela a quitação em novembro do imóvel no qual a família morava, com o objetivo de continuar a receber as prestações que seriam desviadas para sua conta bancária. Maria do Rosário parou com os pagamentos, o que enfureceu Amanda e a levou a assassinar a mãe com um mata-leão.

A morte da filha da indiciada, por sua vez, ocorreu no dia seguinte, 14 de março. Segundo os investigadores, Amanda, após concluir que seria presa pelo crime, decidiu matar a menina de 10 anos para não deixá-la com a família do pai:

— Em uma situação inusitada e repugnante, ela deu opção à filha que seria morrer ou ir para um abrigo, algo que chocou a todos nós no transcorrer da investigação — disse Letícia Gamboge, chefe do DHPP.

— Mais uma vez demonstrou esse controle, essa possessividade, que não deixaria a menina ser criada pela família do pai — apontou a delegada Iara França sobre a conduta da mulher.

O duplo homicídio foi descoberto apenas no dia 15, quando o cheiro de gás chamou a atenção dos moradores do prédio, que acionaram o Corpo de Bombeiros. Amanda havia provocado um vazamento em uma tentativa de se matar. Encontrada ainda com vida, mas seminconsciente, ela foi levada para o Hospital João XXIII.

Apesar de estar submetida a prisão preventiva, a mulher encontra-se desde o dia 16 de março hospitalizada e sob escolta da Polícia Penal de Minas Gerais. A defesa da suspeita não foi localizada.

Fonte: Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mais de 66 mil pessoas esperam consultas para diagnóstico de autismo em Pernambuco, aponta TCE

Unrecognizable little girl making words from colorful plastic letters during meeting with psychologist, child development specialist exercis...