sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Brasil vai ter mais impostos caso reforma da Previdência não seja aprovada, garante base governista

  Beto Mansur garante que a reforma terá votos necessários até fevereiro














Por Jalila Arabi

Descanso é uma palavra que não existe no recesso parlamentar da tropa de choque do governo Temer.
Em ritmo acelerado, os deputados que assumiram a liderança a favor da reforma da Previdência estão
em busca do mínimo de 308 votos para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, de 2016.
Até dezembro, a base tinha quase 270 votos favoráveis – pelo menos é o que garante o vice-líder do
governo na Câmara dos Deputados, Beto Mansur (PRB-SP). Segundo o parlamentar, até fevereiro,
a contagem subirá para, pelo menos, 320 favoráveis. “Está faltando voto e está faltando compromisso
dos deputados e deputadas para que votem essa reforma que é extremamente necessária para o Brasil”,
cobra Mansur.
De acordo com o deputado, a liderança vem trabalhando ativamente, mesmo no recesso parlamentar,
para alcançar o número necessário. Mansur acredita que o prazo máximo para a votação é 19 de fevereiro
deste ano. “Se não houver a reforma neste ano de 2018, vai faltar ainda mais dinheiro para as necessidades básicas da população”, afirma. E completa: “Outra medida vai ser aumentar imposto, coisa que o brasileiro quer ver de costas, porque ninguém aguenta mais.”
O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) também não admite a não aprovação da reforma. “Não conseguir
é aumentar imposto, é parar o País, é não ter dinheiro para a saúde, para a educação, para o jovem, para
o doente, motorista, desempregado. Vai ser um horror”, diz.

“É inevitável”

Em evidência desde meados de 2017, a PEC 287/16 traz algumas mudanças no setor previdenciário.
Uma das mais comentadas é a da instituição da idade mínima para se aposentar, que não existe no Brasil.
“O Chile já fez a reforma há muitos anos, a Argentina acabou de fazer. Se você pegar outros países, todos
têm uma idade mínima de 65 anos ou mais, como é o caso da Suécia, onde se aposenta com 67 anos”,
explica Beto Mansur.
O ex-ministro de Previdência Social José Cechin diz que é preciso que o País estipule um teto para quem
quer se aposentar. “O Brasil é um dos poucos países que não tem idade mínima para efeito de
aposentadoria. Portanto, introduzir essa idade mínima universal, para todos, é um passo muito importante
numa reforma.” De acordo com a proposta, homens se aposentarão aos 65 e mulheres aos 62,
isso até 2038.
Beto Mansur confia que a reforma seja votada ainda neste ano e avisa que ela é inevitável, mesmo que
venham outros partidos no ano que vem, já que 2018 é ano de eleição. “É claro que é inevitável.
Inclusive, os próprios partidos de oposição deveriam ter a consciência de estarmos unidos para aprovar
uma reforma que é necessária”, pede.

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