Pernambuco é o segundo estado da região Nordeste com o maior índice de expectativa de vida.
A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que o pernambucano viva
em média até os 73,9 anos de idade. O estado fica atrás apenas do Rio Grande do Norte, onde os
potiguares têm média de vida estipulada em 75,7 anos. Dados tão positivos, no entanto, geram
preocupação quando se trata da Previdência. Isso porque quanto maior o tempo de vida de um
cidadão e mais prematura for a sua aposentadoria, mais custo ele terá aos cofres previdenciários.
É por essas e outras que o governo federal vem tentando colocar em votação na Câmara dos Deputados
a reforma da Previdência. Durante o recesso, líderes no Palácio do Planalto articulam junto a deputados
para garantir o mínimo de 308 votos necessários para aprovar as mudanças.
A Previdência no Brasil não exige uma idade mínima para que trabalhadores possam requerer a
aposentadoria. Vale o tempo de contribuição junto ao INSS. Isso possibilita que servidores públicos,
como policiais, se aposentem já aos 50 anos. O que onera cada vez mais cedo a folha de pagamento
das aposentadorias pagas pela União. E, ao viver mais, muitos terão mais tempo de benefícios do que
o que contribuíram.
Rogério Nagamine é coordenador de Previdência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Ele entende ser satisfatório o aumento da expectativa de vida e de envelhecimento do brasileiro e dos
pernambucanos, desde que isso continue sendo feito de forma planejada.
“Claro que é positivo que as pessoas estejam vivendo mais. Isso é algo que tem que ser comemorado
porque está significando, inclusive, uma melhora da qualidade de vida. Só para ter uma ideia, em 1940
as pessoas de 65 anos tinham uma expectativa de vida de chegar até o 75. Hoje elas têm uma expectativa
de chegar até os 83. Então era de 10 anos, hoje é 18. Agora, é claro que isso influencia a Previdência
em que sentido? Os benefícios tendem a ter uma duração maior. Então é seu Impacto sobre a Previdência.
Repito, é positivo, mas é necessário fazer um planejamento em relação a esses impactos”, comenta.
A previsão de votação da reforma em plenário é em 19 de fevereiro, tão logo os deputados voltem do
recesso e passe o Carnaval.

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