sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Lula não tem sucessor para 2026

 

A eleição de 2026 se aproxima, e o presidente Lula enfrenta um dilema semelhante ao de Joe Biden: a idade, a falta de um sucessor e o risco de entregar o Brasil de volta à oposição de Jair Bolsonaro. Nos Estados Unidos, a questão da idade foi decisiva para a saída de Biden da corrida presidencial.

Apesar de ter apenas quase quatro anos a mais que Donald Trump, a senilidade de Biden tornou-se evidente. Trump, por outro lado, conseguiu manter uma vitalidade que escondia os efeitos da idade, o que contribuiu para seu retorno à Presidência em 2025. Lula, que terá 81 anos em 2026, a mesma idade de Biden em 2024, corre o risco de repetir esse cenário. Se vencer, terminará o mandato em 2030 com 85 anos.

Biden começou a enfrentar problemas ao cometer gafes recorrentes que evidenciavam lapsos de memória. Lula, após a queda que resultou em internação, já tem sua condição física objeto de atenção pública. Situações como essa levantam dúvidas sobre sua capacidade de liderar e impactam diretamente na percepção das pessoas sobre o presidente, especialmente em momentos de crise.

Além da questão da idade, Lula enfrenta o desafio de preparar um sucessor. Ambas escolhas anteriores foram desastrosas: Dilma Rousseff levou o Brasil a uma crise econômica histórica que culminou em seu impeachment, enquanto Fernando Haddad, que o substituiu em 2018, fracassou em conquistar o eleitorado. Hoje, como ministro da Fazenda, Haddad carrega parte da responsabilidade pelo fiasco econômico do governo.

O real, que estava em recuperação quando Lula assumiu em 2023, enfrenta agora um desempenho pior do que o peso argentino sob o governo de Javier Milei, que mal completou um ano. A “motosserra” de Milei, com cortes de gastos e reformas rápidas, colocou a Argentina em um caminho de ajuste econômico. Enquanto isso, o governo Lula segue patinando, incapaz de apresentar resultados concretos.

Numa eventual desistência tardia das eleições, como fez Biden, Lula pode favorecer a vitória de uma oposição fortalecida sobre um sucessor despreparado. Neste caso, Lula repetiria o caso de Kamala Harris nos EUA, cuja falta de apelo e estratégia relegou ao Partido Democrata uma derrota acachapante.

No Brasil, onde tudo é possível e até o passado é incerto, Bolsonaro não deve ser descartado, mesmo inelegível. O Trump dos trópicos tem uma base de seguidores tão fiel quanto a de seu equivalente americano. Seu retorno, por mais improvável que pareça, não pode ser ignorado. Afinal, Lula estava na cadeia em 2018 e conseguiu reverter sua trajetória para concorrer e vencer as eleições de 2022.

Lula, se se importa de fato com o Brasil, deve começar agora a se preparar para sair da Presidência em 2026. Sua insistência em continuar no poder, mesmo diante dos sinais de desgaste e da ausência de um sucessor claro, revela um projeto político centrado apenas nele próprio. Ano que vem, Lula corre o risco de encerrar sua carreira política como Biden: sem vigor, sem sucessor e responsável pela volta de seus adversários políticos.

Folha de São Paulo

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