quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Mais uma penitenciária em Pernambuco é alvo de investigação da Polícia Civil

 

O Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil de Pernambuco, está investigando supostas irregularidades envolvendo servidores da Penitenciária Doutor Ênio Pessoa Guerra, localizada no município de Limoeiro, no Agreste.

O esquema, que envolve supostos desvios de dinheiro, teria ocorrido entre os anos de 2021 e 2025. Já circula há alguns meses a informação entre os policiais penais sobre a investigação em curso.

A coluna Segurança teve acesso a um ofício enviado à Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) em 23 de julho deste ano, com questionamentos sobre a unidade prisional.

A equipe do GOE perguntou, por exemplo, quais servidores tinham autorização para movimentação de recursos financeiros, realização de saques, pagamentos ou prestação de contas.

Questionou também se a penitenciária conta com cantinas, pontos de venda, oficinas ou outras atividades econômicas.

Desde 2006, conforme portaria estadual, as cantinas são proibidas. Mesmo assim, em várias unidades prisionais, elas continuam funcionando sob o comando de detentos, que cobram preços superfaturados e cometem atos de violência contra aqueles que contraem dívidas.

De acordo com estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a penitenciária tem capacidade para 723 presos, mas conta com mais de 1,9 mil. A taxa de ocupação é de 274%.

Em nota, a assessoria da Polícia Civil afirmou que a investigação corre em sigilo e que não vai se pronunciar "a fim de preservar o andamento dos trabalhos policiais e evitar o comprometimento de diligências".

A coluna também procurou a assessoria da Seap e questionou se servidores da penitenciária foram afastados por suposto envolvimento em irregularidades. A pasta estadual afirmou, também em nota, que "vem colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração, mediante o fornecimento de documentos, informações funcionais e demais elementos solicitados".

Disse ainda que as providências administrativas cabíveis serão avaliadas a partir dos elementos reunidos no curso da investigação.

"Até o momento, não há elementos concretos que justifiquem o afastamento de servidores sem prejuízo de novas medidas que venham a se mostrar necessárias no decorrer das apurações", informou.

VITÓRIA DE SANTO ANTÃO

No mês passado, o GOE deflagrou uma operação para um esquema de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão, localizado na Mata Sul do Estado. Um dos alvos foi o policial penal Emanuel Roberto Franca de Lima, ex-diretor da unidade.

O inquérito indicou que o ex-presidiário Alexandre Saturnino de Paula, apontado como o chaveiro que liderava um esquema de extorsão e corrupção no presídio, negociava privilégios e proteção aos presos, mediante pagamentos em dinheiro. Ele também alugava camas e comercializava produtos em cantinas.

Presos sofriam violências físicas caso não pagassem os valores determinados pelo ex-chaveiro e os parentes deles recebiam ameaças.

O ex-chaveiro teria relação direta com Emanuel. Em meio a denúncias, o ex-diretor deixou de exercer cargo de confiança em 2023, mas permanecia trabalhando no Presídio Rorinildo da Rocha Leão, localizado em Palmares, também na Mata Sul, até ser preso na operação.

Via: Ronda Jc

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