quarta-feira, 20 de maio de 2026

Presos ligados a facções tentaram deixar penitenciária da Paraíba com alvarás falsos, diz investigação

Foto: Walter Paparazzo/G1

Sete presos apontados como integrantes de facções criminosas tentaram deixar uma unidade prisional de segurança máxima da Paraíba utilizando alvarás de soltura falsificados. A tentativa de fraude foi identificada por policiais penais e posteriormente confirmada pela Justiça.

Os detentos cumprem pena na Penitenciária de Segurança Máxima Dr. Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecida como PB1 e PB2, em João Pessoa, e chegaram a ser chamados para assinar os documentos de liberação. No entanto, durante o procedimento, os agentes desconfiaram da autenticidade dos alvarás e decidiram realizar a conferência antes da soltura.

De acordo com os documentos investigados, os alvarás continham assinaturas falsas de magistrados da Vara de Execuções Penais. Após consulta, a juíza Andrea Arcoverde Cavalcanti Vaz e o juiz Carlos Neves confirmaram que não haviam expedido qualquer autorização para a liberação dos presos.

Segundo as investigações, os detentos que seriam beneficiados pelos documentos falsificados são: Clodoberto da Silva, conhecido como “Betinho”; Diego Alexandro dos Santos Ribeiro, o “Baiola”; Samuel Mariano da Silva, o “Samuka”; João Batista da Silva, conhecido como “Junior Pitoco”; Célio Luis Marinho Soares, o “Célio Guará”; Vinicius Barbosa de Lima, conhecido como “O Vini”; e Francinaldo Barbosa de Oliveira, chamado de “Vaqueirinho”.

As apurações iniciais indicam que os alvarás teriam sido enviados por meio do Malote Digital do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sistema utilizado para o envio de correspondências oficiais entre órgãos do Judiciário. A suspeita levantada é de possível uso indevido de credenciais de servidores federais.

Entre os presos envolvidos, pelo menos dois cumprem penas superiores a 27 anos de prisão. Outro foi condenado a 19 anos por diversos crimes.

Após a confirmação da fraude, a juíza Andrea Arcoverde determinou medidas imediatas e classificou os documentos como falsos, elaborados “com a finalidade de fraudar a Justiça e acarretar a soltura indevida do sentenciado”.

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) confirmou o caso e informou, em nota, que nenhuma soltura foi realizada graças à atuação dos sistemas técnicos e à conferência feita pelos servidores.

Ainda segundo o TJPB, foi solicitado à Secretaria de Segurança Pública da Paraíba a instauração de inquérito policial e a designação de um delegado especial para apurar toda a extensão do caso. O tribunal também comunicou o episódio à Presidência do TJPB, à Corregedoria-Geral de Justiça e às comissões de Segurança Institucional e Segurança da Informação.

A Secretaria de Administração Penitenciária da Paraíba (Seap-PB) informou que o sistema prisional possui protocolos rigorosos de análise e verificação documental, o que permitiu identificar inconsistências nos alvarás apresentados.

A pasta confirmou ainda a abertura de procedimento interno para apurar possível participação dos presos na tentativa de fraude. Caso haja comprovação de envolvimento, os detentos poderão sofrer sanções disciplinares e repercussões no cumprimento das penas.

Além disso, a Seap-PB encaminhou documentos à Polícia Civil para investigação da origem dos alvarás falsificados, identificação dos responsáveis e eventual responsabilização criminal.

Conforme documentos do sistema penitenciário, os presos citados ocupam posições de liderança ou influência em organizações criminosas que atuam na Paraíba e em estados vizinhos. Entre eles, estariam integrantes e chefes de facções como Comando Vermelho, Nova Okaida e Bonde do Cangaço.

Por Patos Online
Com informações do g1 PB

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